O mais perigoso Benfica de Jesus

José Manuel Ribeiro

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Esta época, parece uma raposa solta na capoeira em quase todos os jogos. Incluindo os clássicos

Quem viu os dois jogos com o Sporting e a borla dada pelo FC Porto na primeira volta talvez comece por duvidar, mas, na conjuntura atual, esta é a mais perigosa equipa do Benfica desde que Jesus lhe pôs a mão. Jesus nunca foi um anjinho. Sempre recorreu a tudo para ganhar jogos - e o arsenal de manobras dele, com tantos anos de segundas e terceiras divisões, é imenso -, mas no Benfica essa sabedoria acumulada costumava diluir-se na contradição tática que criou. Se Jesus nunca teve nada de ingénuo, o modelo de jogo que usou para pôr a equipa a terraplenar 80% dos adversários tinha um lado cândido e difícil de reverter contra oposições menos dóceis. Até que lhe chega, primeiro, Enzo Pérez, o Igor perfeito para o dr. Frankenstein que ele queria ser, e o Benfica ganha um ar espertalhão, mais ao gosto do treinador. Esta época, com as contratações de Eliseu (sobretudo), Júlio César e Jonas, somados aos sabidões Luisão, Maxi Pereira e Lima, essa mudança atingiu o expoente máximo. Em quase todos os jogos, agora incluindo os grandes, o Benfica parece uma raposa solta na capoeira. Ajuda muito ao grau de ameaça, claro, que tanto FC Porto como Sporting tenham um défice evidente de experiência e manha, tanto nos jogadores como nos treinadores, mas a conjuntura é esta, verificável até na estatística: de ano para ano, o Benfica de Jesus ataca, remata e cruza cada vez menos nos clássicos com o FC Porto jogados na Luz. E já não perde há três épocas.