O JOGO que nos deve importar a todos

O JOGO que nos deve importar a todos
José Manuel Ribeiro

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Despeço-me hoje deste jornal e desta empresa com a mensagem de sempre. Em defesa d'O JOGO, dos seus jornalistas e do pluralismo de informação.

Já devo ter contado isto, mas não vejo alternativa. Consumiram-se à velocidade da luz, não sei como, mais de três décadas desde que, procurando eu emprego para ajudar a pagar as propinas da escola de jornalismo, o meu interlocutor assumiu, em forma de pergunta retórica, que deveria querer trabalhar na área do desporto. Respondi-lhe: "Isso nem pensar." Depois fui trabalhar na área do desporto. Neste jornal.

Fiz várias coisas para outros lados, mas nunca larguei O JOGO. Conheci-o até à escala atómica, muito para lá do jornalismo. Aprendi grafismo, dirigi duas remodelações gráficas, conduzi a criação de um site, embrenhei-me nos mistérios do InDesign e do Illustrator, fiz cursos de marketing e até desenhei o cartoon. E se isto começa a parecer-lhe uma candidatura de emprego, não está longe da verdade. Comecei com uma crónica de futebol amador, num sábado qualquer de 1989, e despeço-me hoje com uma crónica de amador, porque este deve ser o único tipo de artigo que nunca escrevi, nem ensinam na faculdade.

Saem-me com muito mais fluência, porque demasiadas vezes tive de os bater, os textos em defesa deste jornal nacional sedeado no Norte; da idoneidade dos seus jornalistas, tão atacada pelos patetas; e do direito ao pluralismo, de que Portugal é uma das anedotas da Europa, em termos de distribuição geográfica dos grandes meios de informação. Também me especializei, fiz quase um doutoramento forçado, na exigência de respeito pela diversidade de opinião, livre dos preconceitos que só na aparência são aplicados aos outros.

É por estas razões que O JOGO deve importar a todos. As razões pelas quais me importa a mim, por não ter aprendido a escrevê-las, não tenho remédio se não levá-las comigo.