O herói Bruno e o juiz Vieira

José Manuel Ribeiro

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Afinal, foi a Liga quem atropelou um adepto e o bom senso. Sporting e Benfica estão aí para nos salvar

A Federação Portuguesa de Futebol teve um rasgo de génio comunicacional e fez implodir as más arbitragens (i.e. a raiz de todos os males) com a aceleração do videoárbitro (VAR) já para 2017/18. Esse anúncio resultou em duas excrescências, para além das reações normais e adultas das pessoas adultas e normais: a primeira foi partir à descoberta de a quem dar a bicicleta, se ao comentador Rui Santos, se ao presidente do Sporting. Aparentemente, foi por genial intervenção de um deles que, ao fim de duas décadas de debate e intransigência, o International Board lá aprovou o uso do VAR, em junho de 2016. Consta que do dossiê de apoio faziam parte 4667 entrevistas de Bruno de Carvalho e dez cópias autografadas da petição "Pela Verdade Desportiva". A segunda excrescência é a transformação de um ato normal da FPF (a arbitragem pertence-lhe e a liquidez financeira também) numa derrota da Liga, através de um comunicado extraordinário do Benfica. Ou seja, menos de duas semanas depois de uma morte, os dois clubes diretamente implicados no conflito querem sair dele por cima. Um é o herói da revolução, que descobriu a penicilina do futebol; o outro é o juiz supremo, inimputável e acusador, que escolheu acusar a Liga, com certeza porque é a Liga que inflama os adeptos e é na Liga que estão a arbitragem e o poder disciplinar. Claro que não o faz por causa disso: fá-lo porque Pedro Proença tem o apoio do FC Porto e porque a ilação a tirar deste período de poucas-vergonhas é que faz falta uma guerra nova já a seguir, para branquear os aborrecimentos (houve algum?) da anterior. E se ajudar a levar também esse restinho de futebol para Lisboa, perfeito.