Exclusivo O futebol não pára mas é de desaprender

O futebol não pára mas é de desaprender

Ora, há indignação porque o calendário não protege os europeus, ora há indignação porque protege os europeus. Seria caso para pedir que se decidam, se já não tivesse havido debate e decisão.

Um dos meus mitos favoritos é o do peixinho de aquário, cuja memória era suposto durar só dois segundos. Aplacava-me o sentimento de culpa pensar que a vida daquela criatura era uma novidade permanente, a cada volta que dava numa caixa de vidro de 40 centímetros por 20. A ciência já desfez essa lenda caridosa, mas ainda está por investigar a memória da fauna do futebol português, que pode bem ser o verdadeiro peixinho de aquário do mito.

Como é possível que, a cada ano, volte a ser tema na praça pública se o calendário deve, ou não, proteger as equipas que correm na Europa? As regras mudaram e voltaram a mudar várias vezes, houve consensos para tudo e o seu contrário, e ainda assim a discussão regressa sempre, com pontualidade suíça, como se não tivesse havido nada para trás, como se não tivesse existido um debate e as pessoas não tivessem concluído que sim, interessa a todos que a Liga se saia bem no ranking da UEFA e que mais equipas portuguesas possam aceder a essa receita.