O FC Porto-Chelsea: bola do Chelsea, alguns cantos, muitas faltas, poucos cruzamentos

O FC Porto-Chelsea: bola do Chelsea, alguns cantos, muitas faltas, poucos cruzamentos
José Manuel Ribeiro

Tópicos

Análise: dificilmente será um jogo frenético como de Turim, recordista desta edição. A meteorologia possível para o clima de Sevilha, daqui a pouco

São apenas números para uma espécie de previsão meteorológica muito falível. De concreto, sabemos que vão às 20h00 desta quarta-feira, em Sevilha, duas das equipas mais faltosas desta edição. Também podemos dizer que ambas vivem pouco de cruzamentos, mas que o FC Porto é recordista de cantos concedidos aos adversários, pelo que haverá chances para ver Pepe brilhar nos ares. O Chelsea terá a bola mais tempo, isso é seguro, mas também gosta de apanhar os adversários em contrapé e sabe fazê-lo, mesmo quando são tão manhosos como Atlético de Madrid. Quanto ao stress, uma notícia para os portistas: ainda não houve, nesta edição, jogo tão ofensivo e frenético como o Juventus-FC Porto que decidiu os oitavos de final. Avancemos.

Quando esperar os golos? Quase um quarto dos 344 golos desta edição da Liga dos Campeões (81) foram marcados depois dos 75 minutos e mais de um terço (136) na meia hora final. As probabilidades apontam para um drama em crescendo.

Será jogo para muitas faltas? Chelsea é a quarta equipa com mais faltas cometidas (111), mas não muito distante do FC Porto (7º, com 100). Em contrapartida, os homens de Conceição são os que mais faltas sofreram em toda a competição (124). Já os ingleses conseguem escapar-se entre os pitons (73). A explicação está nos jogadores e na forma de jogar. O Chelsea não gosta de transportar demasiado a bola (diferente de não gostar de a ter) e expõe-se menos à falta, para além do facto de jogar com três centrais em zonas onde a falta é menos comum.

Vamos ver muitos cantos? É provável. O FC Porto é a equipa que mais cantos permitiu nesta edição da Champions (7,75 em média).

Vamos ver muitos cruzamentos? Nem FC Porto nem Chelsea são grandes destaques nessa matéria, no caso dos ingleses, porque costumam preferir o jogo interior. No caso do FC Porto, porque poucas vezes jogou em ataque continuado. Essa será, talvez, uma das grandes diferenças para o Juventus-FC Porto. Ninguém nesta Liga dos Campeões cruzou mais do que os colegas de Ronaldo, daí o esplêndido desempenho de Pepe em Turim. Só veremos as áreas bombardeadas em caso de emergência para algum dos lados.

E golos de cabeça? Chelsea e FC Porto fizeram, juntos, três golos de cabeça nesta edição. Dos 17 marcados pelos ingleses, dois foram assim, ambos pelo francês Giroud . A Juventus, nesse aspeto, era um adversário mais temível (dizem os números), com cinco dos seus 18 golos conseguidos dessa forma, os mesmos do Bayern. Tanto a equipa de Tuchel como os italianos são perigosos dentro da área. Marcaram 16 vezes para lá do meio círculo. Não é um número longe dos standards habituais das equipas, no entanto. Um golo de meia-distância é sempre possível, mas esta estatística sugere que é improvável.

Quem vai ter a bola mais tempo? Claramente, o Chelsea. O FC Porto tem uma média de 40% de tempo de posse de bola. Os ingleses empatam com a Juventus (54%), sem estarem ao nível obsessivo do Manchester City, cujas artes o campeão português já experimentou, nem do Bayern de Munique. Há três jogos do FC Porto entre os que mais diferença registaram na posse de bola, sempre em desfavor dos dragões. Os dois com o Manchester City (30% e 28%, 3-1 e 0-0) e o de Turim (28%, 3-2). O Chelsea só se destaca em goleadas de tempo útil nos jogos com o Krasnodar.

Quem acertará mais vezes na baliza? Talvez o Chelsea também. Não atinge os números da Juventus, que acertou 49 vezes na baliza (15,38 remates/jogo), mas supera o FC Porto, com 43 bolas enquadradas e 12,4 remates em média. A equipa de Conceição atira à baliza, em média, oito vezes por jogo. Acertou 31 vezes entre os postes.

Quais são as probabilidades de um golo do FC Porto? Boa pergunta. O campeão português já sentiu dificuldades "matemáticas" parecidas com as de hoje. O Chelsea sofreu só dois golos até agora, tantos como o Manchester City. São as melhores defesas da prova. O FC Porto não se pode queixar. Tem a quarta melhor, em igualdade com o Bayern Munique. City, Bayern e Chelsea ainda não perderam.

Até que ponto será um jogo atacante? É apenas a primeira mão, mas o FC Porto experimentou o grau máximo em Turim. Nesta edição, ainda não foram registados mais ataques, nem mais remates (45), nem mais bolas enquadradas com a baliza (20), nem mais cantos (21). O máximo de stress que o Chelsea gerou foi, por coincidência, precisamente em Sevilha: 31 remates, 10 deles à baliza. Catorze pertenceram aos ingleses, três na direção certa. O Atlético de Madrid-Chelsea, dos oitavos de final , pode dar melhores pistas. Tuchel venceu 1-0, no jogo recordista de off-sides, onze, cinco deles para os visitantes, ainda que estes tenham ganho na posse de bola (41%-59%). As costas da defesa do FC Porto não estão seguras, embora faça diferença se o avançado escolhido é o alemão Werner, um especialista já conhecido de Conceição, ou o mais ortodoxo Giroud.