O fator Chaves aplicado à Liga

José Manuel Ribeiro

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Esta época não é daquelas em que os adeptos (e presidentes) dos grandes podem pedir passeios todos os jogos

Mudando de conversa: FC Porto-Rio Ave, Marítimo-Sporting e Braga-V. Guimarães foram bons jogos de futebol. Também há disso na I Liga. O facto de repararmos neles poucas vezes faz crescer um monstro com consequências eventualmente sérias, como levar um presidente a invadir um balneário metralhando acusações e abrindo guerra aos jogadores por não terem ganho um jogo "trivial" em Chaves. Para isso, admito que eu próprio tenho contribuído. Épocas fracas, em que até houve campeões sem derrotas, convenceram-nos a pregar a teoria de que as diferenças cresceram tanto que ganhar se tornou um pró-forma para Benfica, FC Porto e Sporting. Tornámos essa tese tão popular que, suspeito, as próprias equipas se convenceram delas, tanto as fracas como as fortes. As primeiras ganharam o hábito perigoso e antidesportivo de encararem os jogos com os mais fortes dos fortes (isto é, os que não têm, naquele momento, uma fraqueza à vista) como um aborrecimento, um gasto desnecessário de energia que é preciso cumprir com dispêndios mínimos. Acreditem que acontece. Os segundos esqueceram que também na "ralé" há tons de cinzento. Quando Bruno de Carvalho cometeu a asneira infantil de ralhar aos jogadores, fê-lo por desconsiderar o Chaves; fê-lo porque, apesar de ter dito aos adeptos que aqueles dois jogos eram "importantíssimos", não percebeu que essa importância toda provinha do adversário. Há algumas equipas-armadilha nesta liga. Esta época não é daquelas em que se ganha de olhos fechados. Nem, já agora, de boca demasiado aberta.