O efeito Meirim

José Manuel Ribeiro

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Caso Samaris: uma retificação e a certeza de que era possível julgar mais depressa

José Manuel Meirim, presidente do Conselho de Disciplina da FPF, é um nome que os jornalistas têm de respeitar. Nos seus tempos de perito forçado de quase todos os jornais e rádios que prestam atenção ao futebol, ganhou-nos a confiança, por acertar quase sempre nas leituras que lhe pedíamos, por dar provas contínuas de não estar infetado pelo clubismo e pela honestidade com que lidava connosco. Diferencia-o dos anteriores presidentes do CD (e é injusto para estes, admito) o facto de o conhecermos de antemão e de lhe termos visto da primeira fila vários exemplos de idoneidade e competência. Quando Fernando Gomes o escolheu, a primeira imagem que me veio à cabeça foi a do teste do furo nas câmaras de ar: finalmente estamos a mergulhar a Disciplina numa bacia de água para ver de onde saem as bolhas. E resulta. Anteontem escrevi um comentário, neste espaço, sobre o castigo irrelevante a Samaris e como, provavelmente, essa irrelevância de já não pesar neste campeonato era responsabilidade conjunta do CD, da Comissão de Instrutores da Liga e dos regulamentos inexplicáveis do futebol profissional. Nesse artigo, cometi um erro: o Conselho de Disciplina não demorou semanas a enviar o processo à Comissão de Instrutores; demorou nove dias a contar do jogo, ou seis dias a contar da participação do Sporting contra o grego. O resto mantenho com mais convicção ainda depois do e-mail que José Manuel Meirim me enviou, detalhando os esforços que fez para que o castigo a Samaris valesse ainda esta época: havia forma de o fazer. Era possível castigar o grego em tempo útil, se não com uma Comissão de Instrutores em paz com o CD, pelo menos com um regulamento bem feito, que garantisse uma decisão sumária num ato de agressão claro para todos desde o primeiro instante. E é o efeito Meirim que nos permite ver isto com tanta clareza.