O "déjà vu" pode ser útil

José Manuel Ribeiro

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Até agora, ainda não há defeitos visíveis nos controversos Jogos Europeus

Apanhados em cheio pelo escândalo FIFA e entregues a um país tão puro e cristalino como o Azerbaijão, os primeiros Jogos Europeus resvalaram num instante para a suspeita. Jornais tão fidedignos como o inglês The Guardian escreveram que eram apenas uma forma de os Comités Olímpicos da Europa acederem ao negócio tão apetecido (e sinuoso) dos grandes eventos "a la FIFA". Em parte, é por causa disso que são combatidos pelas confederações do atletismo e da natação, que já vão tirando lucro dos seus próprios campeonatos continentais e não querem concorrência. É verdade que as medalhas portuguesas no ténis de mesa, no taekwondo e na canoagem são repetições do que sucedeu nos respetivos Europeus (as mesmas competições e os mesmos competidores deram nos mesmos vencedores, que surpresa), o que faz estes primeiros Jogos parecerem uma espécie de prova dos nove de luxo. Mas também é verdade que trazem aos vencedores uma ratificação valiosa, em ambiente já muito próximo do Olímpico, que por cá é sempre tido como perturbador para os portugueses. E ainda, obviamente, um prolongamento da glória e de um momento de superioridade competitiva que não faz mal nenhum aproveitar. O ténis de mesa, o taekwondo, o triatlo e até a canoagem não sofrem, propriamente, de excesso de atenção. Ou seja, para os interesses de Portugal, ainda não vi defeitos nos Jogos Europeus. E menos ainda verei se, como desconfia o The Guardian, daqui por alguns quadriénios eles começarem a render muito dinheiro e a produzir Blatters. Não me importaria nada que o Comité Olímpico de Portugal, que vai buscar 85% das receitas ao Estado, tivesse a conta bancária da FPF.