O Benfica e as ilusões de ótica

José Manuel Ribeiro

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É o sétimo massacre que se esquece de acontecer, mas o Benfica é grande o suficiente para certificar Vítor Pereira como treinador de top

Compreendo Vítor Pereira. Já lá vão três anos de repetições do mesmo filme, sustentado por um eterno erro de perspetiva: o Benfica é uma máquina de triturar pequenas e médias equipas que parece, de facto, desmesurada quando vista ao lado desses adversários. O futebol, o andamento e o talento dos jogadores não são ilusões, não é isso, mas ilusão é o que se extrai desses jogos para concluir que o FC Porto é um pobre concorrente, de calibre inferior, sem aspirações a combater aquela pujança toda.

Em quatro épocas, sete jogos de campeonato e uma única vitória do Benfica, o massacre foi prenunciado muitas vezes (sempre?), algumas delas até sugerido pelo próprio Jorge Jesus, mas nunca aconteceu, nem esteve perto. Seria só um detalhe - de que o FC Porto nem se deve queixar, porque tira proveitos desse empolamento - se hoje todos os analistas e opinadores se rendessem a Vítor Pereira por mais uma vez ter afrontado o monstro na Luz, com um jogo até superior - digo eu - ao da época passada e enfrentando limitações que toda a gente assumia como fatais para qualquer veleidade que pudesse ter quanto a um resultado positivo: o FC Porto não teve James, nem sequer Kléber e não dispõe do arsenal de atacantes do Benfica. São factos.

Por todos esses motivos, Vítor Pereira sai, pessoalmente, vencedor do empate e não deve cair também no erro de desvalorizar o Benfica: é por ser um grande adversário que estes jogos são a prova de que ele é, sem dúvida, um treinador de primeiro plano ou, como gostam de dizer, de top.