Moutinho leva tempo a curar

José Manuel Ribeiro

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Paulo Fonseca procura o remédio e ganha enquanto procura. Não há nada a dizer

1 A substituição de Defour por Herrera nos titulares do jogo de Arouca demonstra que Paulo Fonseca concorda com a crítica e com os adeptos: o FC Porto ainda não encontrou o ponto de equilíbrio, gasta demasiada energia para mandar nos jogos e nunca consegue fazê-lo do princípio ao fim, mesmo quando a disparidade de forças não admite outra hipótese. Era exigível que jogasse um futebol mais autoritário? Não. O facto de termos esquecido tão depressa que o FC Porto perdeu João Moutinho, ventrículo direito e esquerdo da equipa, é trabalho do treinador, mas não é problema que se ultrapasse assim. Ainda que não estivesse ele próprio em aprendizagem, Paulo Fonseca teria sempre direito a tempo e a experimentação. Sobretudo quando consegue experimentar e ganhar em simultâneo.

2 Era simples pegar no Estoril-Benfica pelo desempenho das visitas. O Benfica continua a tresandar a hesitações e falta de autoconfiança. Mas, dentro das aflições que um emblema do top europeu pode sofrer em Portugal, jogar no Coimbra da Mota é das maiores, porque está lá uma das equipas mais rijas da Liga, que tem talvez o futebol mais sólido e coerente de todo o campeonato. Depois de se ter visto várias vezes encurralado pela pressão do Estoril - dez cantos, a maioria deles conseguidos depois de expulso Filipe Gonçalves - Jesus levou ontem para casa uma boa razão para levantar a cabeça. Não é vitória que se despreze.