Miguel Braga, diretor de telepatia do Sporting

Miguel Braga, diretor de telepatia do Sporting
José Manuel Ribeiro

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Os jornalistas continuam a ser pagos (e julgados de várias formas) pelas verdades que escrevem. Os "responsáveis" de comunicação são pagos para dizerem o que der mais jeito. Estamos conversados.

Já o escrevi antes: tenho estima e respeito pelo presidente do Sporting. Nenhuma pessoa decente pode ter gostado do que as claques lhe fizeram e sei que, desde o primeiro minuto, agisse como agisse, tinha uma oposição subterrânea a catar bolas ao poste para lhe minar a presidência, não falando do turbilhão de egos que é o mundo sportinguista. Também me esforço por ser racional e ando nisto há demasiado tempo para avaliar administrações e treinadores com base em subjetividades ou pontuais insucessos de mercado. Mas notícia é notícia, opinião é opinião.

O sr. Responsável (palavra adequada) de Comunicação do Sporting, que aparentemente tem experiência jornalística em jornais imaculados de onde se costuma saltar para a política, escreveu um artigo difamatório para O JOGO, naquela linha apatetada do que se pensa hoje que deve ser a função dele. Diz que escrevemos mentiras. Aparentemente, o sr. Miguel Braga é telepata. Sabe com quem os meus companheiros falaram e que respostas lhes deram para sustentarmos a notícia de que há insatisfação nos órgãos sociais do Sporting e pressões para a demissão do presidente. Gostava tanto de ser assim: os jornalistas ainda têm de falar com pessoas (mesmo que poucas, conforme ele diz), mas ele olha para uma notícia e percebe numa fração de segundo tudo o que está por trás dela, o que os jornalistas fizeram ou não, as más intenções que tinham quando escreveram, toda a teia maquiavélica que põe o diretor a ordenar aos redatores que congeminem maldades. Extraordinário. Infelizmente para o Sporting, o sr. Miguel Braga tem ainda menos jeito para isso do que eu.

Os disparates que diz são, como ele escreveu, "elucidativos", embora não surpreendentes. Por muito que despejem insultos como este, a diferença entre os jornalistas e uma grande parte dos diretores de comunicação é a seguinte: mal ou bem, com mais ou menos acerto, nós somos mesmo pagos para escrever a verdade (está nos contratos, nos estatutos, na lei e na responsabilidade civil) e eles são, de facto, pagos para dizerem todas as mentiras que forem necessárias. Esta parte não é opinião e, vendo melhor, já nem sequer é notícia.

Nota: quanto a nós, é o lado para que dormimos melhor. Não sei é se o Sporting tem noção de como este vício da negação dos factos lhe pode ser fatal. Política de comunicação é saber enfrentá-los. Para responder aos problemas com insultos, se Frederico Varandas quiser, temos aqui estagiários muito mais em conta, com mais imaginação e bem menos ego.