Premium Mais raiva para esta mesa

José Manuel Ribeiro

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Os maus fígados são melhor explicação para o sucesso da formação de futebol e andebol

Hoje, a seleção de futebol de sub-19 joga a terceira final seguida do Europeu e a seleção de andebol de sub-21 joga a meia-final do Mundial. Talvez seja impossível ter melhor formação do que esta num país com dez milhões de almas artríticas e uma cultura do exercício inspirada na couve-flor. Faz lembrar aquela anedota do desesperado que, já nas últimas da miséria, pergunta a Deus por que razão nunca lhe deu o primeiro prémio da lotaria. E Deus responde-lhe: "Porque nunca compraste o bilhete, porra."

Enquanto Estado, Portugal nunca comprou o bilhete, porra, mas farta-se de ganhar a lotaria mesmo assim, umas vezes porque as federações tomam boas decisões sozinhas, outras porque os clubes superam a dimensão do país e outras porque aparece gente providencial a fazer o papel do Deus da anedota. No futebol, a fórmula é cristalina: equipas B, provas internacionais de clubes para sub-19, ampliação das fases finais dos campeonatos de juniores e melhorias nas condições e quadros técnicos da FPF. Os resultados põem também a nu que nem a evolução da formação do Benfica é apenas marketing (longe disso, claro), nem a formação do FC Porto (decisiva nas duas últimas gerações de sub-19) lhe fica atrás, se não marginalmente. Mas dizer tantas vezes o contrário, nas televisões, até pode ter ajudado.