Jonas/Mitroglou: a bomba atómica

José Manuel Ribeiro

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Três pontas de lança como os do Benfica na I Liga equivalem a caçar ratos com uma bazuca

1 - O trio de pontas de lança topo de gama do Benfica já era inédito em Portugal. Caso se mantenha, como parece que acontecerá, passará de inédito a excêntrico. Ninguém defenderá que é normal, para um clube português, ter no banco um jogador pelo qual pagou 22 milhões de euros (Raúl Jiménez). Mas funciona na I Liga, tal como caçar ratos com uma bazuca funcionaria. A parceria Jonas/Mitroglou (as outras combinações possíveis do trio serão mais duvidosas) é uma bomba atómica à qual não foi dado o devido relevo no último campeonato. Como ontem se viu no jogo com o Wolfsburgo, aquele par de canhões está para o Benfica como o tridente (Messi, Suárez e Neymar) está para o Barcelona. O resto da equipa é apenas o acompanhamento.

2 - Presumir a inocência dos atletas russos que o controlo antidoping não apanhou é apenas respeitar o Estado de Direito. Luís Horta, antigo diretor da Autoridade Antidopagem portuguesa, defendia que o Comité Olímpico Internacional devia banir a Rússia por inteiro, porque seria a única forma de garantir "a integridade" dos Jogos Olímpicos do Brasil. Ao invés, o COI optou por entregar a decisão a cada modalidade. Estará nas mãos delas a possibilidade de lavrar sentenças sem provas, impedindo, ou não, os atletas russos não indiciados de participarem. Ao contrário do que diz Horta, a integridade dos Jogos também ficará afetada se uma só medalha for entregue porque um inocente não pôde competir. De resto, já não sobra integridade: a chuva de positivos (98) saída das reanálises de 2008 e 2012 desfez a ilusão. E estão dezenas de países envolvidos, para além da Rússia.