Jesus no lado dos Josués e Licás

Jesus no lado dos Josués e Licás
José Manuel Ribeiro

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O treinador do Benfica está finalmente a entregar os méritos da época passada a Vieira

Óscar Cardozo esteve sete anos no Benfica. Nesse tempo, rodaram no FC Porto quatro pontas de lança titulares: Lisandro, Falcao, Kléber e Jackson Martínez. Durante a vigência do central Luisão, em cujos largos ombros Jorge Jesus quer (e pode) agora pousar a crise, pelo Dragão passaram Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Pedro Emanuel, Pepe, Bruno Alves, Rolando, Maicon, Otamendi e Mangala, para citar apenas os que assentaram no onze. Nenhum veio do Real Madrid.

Durante as cinco épocas de Jesus, o Benfica contratou jogadores do Real e do Atlético de Madrid, do Chelsea, do Ajax, do Barcelona e promessas farejadas por todos os tubarões, como Markovic. Em 2013/14, em vez de vender a superequipa que montara um ano antes, Luís Filipe Vieira reforçou-a, naquele que talvez tenha sido o maior esforço financeiro jamais feito por um clube em Portugal. Os méritos de Jesus são incontestáveis, mas também é incontestável que lhe deram condições que mais ninguém teve, e nem seria preciso falar em reforços: manter jogadores como Cardozo e Luisão tantas épocas é uma anomalia muito vantajosa.

O que Jorge Jesus disse, na conferência de Londres, depois de perder com o Valência, foi que o mérito deve ser dado todo aos milhões gastos por Vieira, porque com Josués, Licás e Ghilas (ou Carrillos, Wilsons Eduardos e Slimanis) ele faz tanto como os outros.