VAR: a arbitragem acima da verdade?

VAR: a arbitragem acima da verdade?

Instruir os árbitros assistentes a não esperarem pelo VAR é desaproveitar a ferramenta em favor de objetivos menores

O Conselho de Arbitragem (CA) explicou ontem aos jornalistas as mudanças nas instruções aos árbitros para a época 2018/19. Pelos relatos noticiosos, o foco esteve no antijogo e na relação árbitros assistentes/VAR. No primeiro caso, muito bem; no segundo caso, duvido. Pedir aos árbitros que não hesitem em levantar a bandeira quando têm a certeza dos foras de jogo, em vez de esperarem pelo VAR, encerra, logo à partida, qualquer coisa de contraditório (os árbitros não agem apenas quando têm a certeza?) e sugere uma avaliação negligente dos casos da época passada. Quando o assistente de Jorge Sousa ergue a bandeira, impedindo um golo do FC Porto ao Benfica, ele tem a certeza do fora do jogo, porque lhe está a escapar Salvio, junto à linha de fundo. A "certeza" provocou um erro grave que já não foi possível corrigir. A preocupação com esta mania que os árbitros assistentes ganharam de esperar pelo VAR tem pouco a ver com a busca da verdade, porque não é, com certeza, a melhor forma de garantir que a arbitragem não interfere no resultado. O alvo desta instrução do CA é o receio de que o árbitro assistente perca na competição com o videoárbitro. O objetivo é o de resolver um problema interno da arbitragem, ou no máximo circunscrever o tempo perdido com o VAR, mas nem um caso nem o outro podem, em cenário algum, ter prioridade relativamente à correção do resultado. Dentro dos limites da sensatez, o melhor uso do videoárbitro em situações de fora de jogo é dar-lhe a oportunidade de agir. Nunca cortar-lhe as pernas com uma bandeira levantada e um apito precipitado.