Premium Uma SAD é apenas um pedaço de papel duvidoso

Uma SAD é apenas um pedaço de papel duvidoso
José Manuel Ribeiro

Tópicos

Aos poucos, a I Liga começa a ser uma espécie de campeonato dos sem-abrigo

O Santa Clara não treinou na quarta-feira, a dois dias de receber o Benfica, porque tinha o estádio ocupado por um corta-mato escolar (como se sabe, há uma gravíssima falta de mato nos Açores). Desalojada do Restelo, a equipa da Belenenses SAD joga (e obriga a jogar) na calvície do Jamor, onde também dispunha de uma mesa a servir-lhe de sede (qualquer sociedade desportiva que tenha o estádio no nome do clube pode acabar sem abrigo, entenda-se).

Entretanto, os treinadores discutiram, na Federação, os engarrafamentos de um calendário que procura acomodar 32 emblemas supostamente profissionais. O que é um clube profissional de futebol? Apenas um administrador, um treinador, um roupeiro, 25 jogadores, 30 bolas e 50 conjuntos de equipamentos? Pode ser muito simples e barato comprar uma SAD e levá-la à II Liga, sem possuir uma única infraestrutura, um único tijolo, nem investir um cêntimo em condições de trabalho, apesar de, em 2018, os clubes portugueses terem pago só em comissões o suficiente para se construir 1200 relvados de treino ou oito academias de Alcochete.