Tem sempre de haver um Lucho González

Tem sempre de haver um Lucho González
José Manuel Ribeiro

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Recuperar o médio foi uma ideia genial e a constatação de que um clube vendedor precisa sempre de um jogador assim.

Pressupondo que as intenções da UEFA relativamente aos fundos de jogadores não se concretizam, os grandes clubes portugueses devem pensar seriamente em expandir o conceito de plantel: precisam de guarda-redes, defesas, médios, avançados e de um Lucho González. O que o FC Porto fez em 2011/12, quando o resgatou de Marselha, foi descobrir a pólvora. Num momento de tempestade, já incontroláveis as ambições dos jogadores que tinham acabado de ganhar a Liga Europa e apenas jovens reforços inexperientes para estabilizar o barco, recuperar Lucho foi mesmo uma manobra de génio. É que há uma falha venenosa no modelo de negócio dos grandes vendedores: entre a saída de jogadores fundamentais e a imposição dos miúdos que os vêm substituir, o desastre bate à porta. Apenas dois anos passados, do onze vencedor da Liga Europa, só subsistem no Dragão dois nomes (Helton e Fernando) e será sempre assim, se os negócios correrem ao FC Porto conforme o pretendido. Ter alguém na equipa com experiência que facilite a transição e imponha serenidade é absolutamente indispensável em qualquer clube que viva desta maneira. Lendo a entrevista de Lucho, nesta edição, percebe-se que, sem ele, teria sido muito mais difícil a Paulo Fonseca e ao FC Porto conseguirem a tranquila recuperação destas últimas três semanas.