Santa Clara e os desavergonhados

Os açorianos são acusados de não simularem que cumprem as regras. Mais vale pedirem já desculpa ao Benfica

O treinador do Santa Clara, clube candidato à I Liga, não tem o curso de quarto nível. Sem esse papelinho, não pode treinar uma equipa profissional. Acontece o mesmo com Pepa, no Tondela, e Silas, no Belenenses, entre outros. Os clubes não hesitam um milésimo de segundo antes de contratarem um treinador sem as habilitações que eles, associados da Liga, aprovaram nos regulamentos de livre vontade. Acredito que nunca um presidente se lembrou de perguntar a um treinador se tem o quarto nível, muito menos de recuar na contratação por causa disso. Limita-se a inventar alguém que tenha o papelinho, para estar no banco a fazer-nos de parvos. O caso do Santa Clara (pág. 27) sugere que os açorianos abusaram de abusar dos abusos, por nem se darem ao trabalho de levar o treinador-fantoche para os jogos. Não me faria grande comichão que os treinadores não precisassem de diplomas tirados num par de semanas para trabalhar, apesar de pensar que seria um retrocesso na rota do profissionalismo, mas a regra está lá, como aquela de dar amarelo ao jogador que despe a camisola. As regras cumprem-se ou alteram-se em assembleias gerais. Quando não se cumprem e são tratadas desta maneira, tornam-se sintomas do modo irresponsável, manhoso e levemente malfeitor com que o futebol profissional é gerido pelos seus agentes. O mesmo que depois encara com simpatia uma espreitadela (ou quinhentas) ao sistema informático da justiça. Mas se o Santa Clara vier a ser castigado, isto é, se houver o descaramento de negar esta hipocrisia e de punir um clube apenas por não fingir que respeita as regras, mais vale assumirem a lei da selva, pedirem desculpa ao Benfica e partirem para a cacetada. Vence o sem-vergonha com os caninos mais compridos.