Portugal-Espanha para lá do Mundial

Portugal-Espanha para lá do Mundial

Andam cidadãos do país que prendeu o presidente da Federação a vender futebol em Angola

Como toda a gente deve ter percebido com os exemplos da FIFA e até da UEFA, olhar com deslumbramento e submissão para o que se faz lá fora nem sempre será a melhor ideia. Em 2017, Espanha confirmou-nos a necessidade de ter essa cautela com a detenção do presidente da Real Federação por suspeitas de várias vigarices. Angel Villar foi também o presidente/ideólogo da Espanha bicampeã europeia, campeã mundial e dominadora em quase todos os escalões de formação durante mais de uma década. As guerras com a Liga e o Pedro Proença espanhol (Javier Tebas) são antológicas e daquele nível rasteiro que nos é familiar. Tebas também ganhou: com a centralização dos direitos TV extorquida ao Governo (contra Villar), pôde puxar pelas orelhas da marca "La Liga" e colar-se aos calcanhares da liga inglesa. Sabiam que, em Angola, andam espanhóis a vender "La Liga", a patrocinar congressos e clubes e a sugerir, de formas cada vez menos sonsas, a pergunta: para quê verem Benfica, FC Porto e Sporting se podem acompanhar Barcelona e Real Madrid em gloriosa alta resolução? Na entrevista que fizemos a Xavi, figura principal da explosão espanhola, falámos do futebol jogado, mas há muito Portugal-Espanha para lá da relva, dos balneários e das traquinices de poder com que nos vamos entretendo cá dentro. Com a devida licença, Espanha deve ser para o futebol profissional português como o porco para o estudante de anatomia: os órgãos são tal e qual os nossos (pelo menos, os maus fígados) e está lá tudo. O que fazer e o que evitar a todo o custo.