Políticos e jornais

A deputada que quer pouco barulho, o blogger que manda na Imprensa e o agente de jogadores que dá "notícias"

O presidente do Sporting desafiou ontem os políticos a meterem-se com o Benfica. Na véspera, o "Público" citava uma deputada do Partido Socialista que reagia ao processo e-Toupeira pedindo ao governo que pusesse os dirigentes do futebol na ordem. Plural. Na verdade, o Apito Dourado foi há mais de uma década e o caso Pereira Cristóvão está sentenciado. O caso atual não diz respeito ao Sporting, nem ao FC Porto, seja qual for o ângulo que se experimente, tal como os dois exemplos que mencionei não eram imputados ao Benfica quando os seus dirigentes falavam deles. Até terça-feira passada, ainda se engolia a tese do terrível ruído e dos diretores de comunicação, porque estava tudo dentro do futebol, mas uma deputada, mesmo que não perceba nada de bola, tem de saber que espiar investigações da Polícia Judiciária não é 4x3x3, nem está ao mesmo nível de uns piropos aos árbitros atirados por Nuno Saraiva ou Francisco J. Marques. Pedir ao governo que endireite "os dirigentes" foi uma espécie de resposta antecipada à pergunta que Bruno de Carvalho faria um dia depois. Foi mais um "calem-se", como aquele que o presidente da Federação pediu, em setembro, ao Parlamento - e talvez até um resultado direto dessa intervenção. Mas nessa altura era futebol. Agora é o Estado de Direito. "Calem-se" já é bem mais do que ingenuidade ou cobardia, exceto se for a Entidade Reguladora para a Comunicação Social a dizê-lo aos órgãos que, por exemplo, publicam sem hesitar "notícias" dadas por um blogger pago pelo Benfica e por um agente de jogadores (profissão subitamente muito respeitada) de quarta categoria envolvido em mil barafundas (pág. 14 e os sites de "A Bola" e "Record"). E sabem o pior? É que os "jornais desportivos" são como "os dirigentes" da deputada. Quando um faz, parece que todos fazemos. Mas olhem que não.