Parte II: os adeptos na disciplina da bola

Parte II: os adeptos na disciplina da bola

Também é por culpa deles que os clubes desconfiam de José Manuel Meirim

Anteontem - dia de sanções inesperadas para Benfica, Braga e P. Ferreira - escrevi sobre como os adeptos saem sempre impunes de uma lista de maus-tratos que dão ao futebol. Na entrevista que publicamos hoje, o presidente do Conselho de Disciplina da FPF põe-lhes outro "crime" às costas quando fala das teorias da conspiração que os clubes ainda veem (e verão) por trás de cada sentença: culpa dos adeptos, neste caso de um grupo muito especial que costumava ser geometricamente distribuído pelos vários órgãos, primeiro da Federação e depois da Liga. Eram advogados e juízes, mas primeiro adeptos, de quem os clubes esperavam uma espécie de representação parlamentar (e obediência partidária) em cada sentença. Nem todos correspondiam, claro, mas os maus exemplos foram mais do que suficientes para corroer a confiança no Conselho de Disciplina e de Arbitragem, se calhar, por décadas. Alguns conseguiram convencer-se de que seguiram sempre as suas consciências, mesmo quando (outro excerto da entrevista) apressaram sentenças convenientes que depois foram revertidas nos tribunais civis, com prejuízos para todos - incluindo algumas gerações futuras de Conselhos de Disciplina. Esse tipo de adepto não se anula com antibióticos. Na recente campanha eleitoral do Sporting, ouvimos várias vezes - e ouvimo-lo sem questionar ou refletir - como "o clube está acima de tudo", da mesma forma que um autocrata diria que o regime ou o partido estão acima de tudo. Uma parte demasiado grande dos adeptos difere pouco dos camisas negras de Mussolini ou da juventude hitleriana e continuará a diferir, se não começarem a dizer-lhes que, não, os clubes de futebol não estão acima de tudo. Nem perto disso.