O palco todo para o Rio Ave

José Manuel Ribeiro

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A Taça é um projeto do clube; a eliminação do Benfica foi um projeto de Miguel Cardoso. As desgraças do Benfica podem esperar

Domingos Paciência disse-o há duas semanas: ao Sporting, ao FC Porto e ao Benfica não se ganha; eles é que perdem. A Imprensa desportiva tem de aceitar essa crítica, porque é muitas vezes verdadeira. A pergunta mais difícil de responder, quando se procura estabelecer quem ganhou e quem perdeu, é sempre esta: ganhar estava mesmo nos planos ou simplesmente aconteceu, como uma nota de cem euros que se encontra na rua? No caso do Rio Ave-Benfica, há a dificuldade adicional do percurso benfiquista, muito difícil de ignorar. Afinal, o Rio Ave é apenas a quarta equipa que elimina o Benfica esta época e a quinta a ganhar-lhe um jogo. Em contrapartida, o Rio Ave também tem um percurso, que na verdade são dois. O mais comprido leva várias épocas de perseguição obsessiva à Taça de Portugal que atestam bem a intencionalidade: há um projeto que ultrapassa em muito o jogo de ontem. Depois, há o percurso mais curto, de Miguel Cardoso, que está longe de ser da classe dos treinadores "fiéis aos seus princípios". O futebol deste Rio Ave não parte de devaneios; arrisca porque sabe, de fonte segura, que esse risco pode compensar. Antes do Benfica, já tinha caído o Braga, vítima do mesmo calculismo disfarçado. Ontem, num jogo complexo de analisar, sobressaiu a coerência de repetir, uma e outra vez, os mesmos caminhos, sem permitir que a ondulação do resultado afetasse a confiança da equipa e traduziu essa resistência em três golos. O Rio Ave ganhou a eliminatória. Disso não pode haver dúvidas.