Premium O licenciamento de clubes perde a virgindade

O licenciamento de clubes perde a virgindade
José Manuel Ribeiro

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Ao fim de tantos anos sem castigos, o Académico de Viseu tem de ser o imperador dos caloteiros

Elas existem! O Conselho de Disciplina da FPF acaba de castigar um clube por prestar falsas declarações financeiras à Liga. É como alguém perder a virgindade ao fim de 60 anos a morar numa casa de tias. Todas as épocas, desde que há controlo das contas, houve pelo menos um ameaço, mas nunca se passou dos preliminares, por mais que parecesse impossível não haver uma descida de divisão administrativa. E pareceu muitas vezes, antes da hipótese murchar sem grandes esclarecimentos. Ainda não passou uma semana, aliás, desde que foi notícia uma queixa do Chaves contra o V. Setúbal pelas mesmas razões.

Que esta espécie de Euromilhões ao contrário tenha calhado ao Académico de Viseu, até sabermos mais pormenores, é matéria jurídica. Que a sorte de o substituir na II Liga possa calhar ao Arouca, que terá namorado um processo de insolvência, já tenderá mais para o domínio da filosofia. Quando não se usa um regulamento durante tantos anos, a primeira vez precisa de ser muito bem lubrificada. O Académico de Viseu teria de ser o imperador dos caloteiros e o substituto uma espécie de Dalai Lama. Comparo o caso com o dos treinadores sem habilitações. Fechou-se os olhos a tantos exemplos flagrantes que castigar um, de repente, torna-se pura arbitrariedade, esteja ou não o processo bem sustentado.