O dérbi lisboeta do pós-Ferrari

Os papéis inverteram-se mesmo e talvez não haja explicação racional. A cilindrada trocou de lado da Segunda Circular

1 - Nos últimos quatro anos deu-se uma inversão estranha que culmina no inimaginável quando, em Alvalade, o treinador era Leonardo Jardim: das duas equipas que hoje estarão na Luz, a que vale mais dinheiro é a do Sporting. Nunca foi possível discernir se isso aconteceu por opção administrativa, por talento persuasivo de Jorge Jesus, voluntarismo exagerado de Rui Vitória ou - o mais certo - pelos três motivos todos juntos. Claramente, Bruno de Carvalho cedeu muito aos apetites do treinador e, do outro lado, Rui Vitória cedeu o mesmo à demagogia da formação. Sem dados para ter certezas, resta o que me parece evidente: é um dérbi de Lisboa desequilibrado a favor do Sporting, como não sucedia há muitos anos. Já não dá para falar de Ferrraris. Para Jesus é uma oportunidade única; para Vitória é um atalho apertado que pode tirar o Benfica do labirinto.

2 - Foi divulgado um email, alegadamente enviado por Carlos Janela a Luís Filipe Vieira, com nomes de jornalistas e avenças a pagar-lhes pela colaboração num blogue benfiquista encapotado. Estão lá profissionais de vários títulos, incluindo d"O JOGO, identificados apenas por iniciais. Quando se chega a este ponto, só há um passo a dar: ou Carlos Janela desmente o email (avisado de que a Polícia Judiciária está em condições de estabelecer a verdade) ou explica por que é que usou aquelas pessoas. A alternativa, no que diz respeito a O JOGO e aos nossos funcionários e colaboradores, é explicar-lhes olhos nos olhos em tribunal.