O Benfica filosófico e o Braga lúcido

O Benfica filosófico e o Braga lúcido

A equipa de Rui Vitória continua a ter crises existenciais dentro do relvado

1 - O Braga de Abel Ferreira funciona. Ganhar sete vezes na pré-época pode ser um detalhe e golear o Newcastle também, mas a segunda volta que a equipa fez no último campeonato já não se descarta com a mesma facilidade e dá outra imagem a este ciclo. Se o biscate das pré-eliminatórias da Liga Europa não se fizer pagar, como há um ano, a I Liga será animada. Para o Benfica de ontem, e de outros jogos nesta pré-época, a diferença está nas convicções. O Braga mostra que sabe muito bem como quer jogar; o Benfica ainda está a tentar decidir se avança ou se recua dez metros; se cavalga por cima dos adversários, pagando por isso lá atrás, ou se toma cautelas e produz menos. No Braga, a parte da filosofia está ultrapassada; no Benfica, a filosofia é uma discussão permanente há anos. E já exausta.

2 - Por falar em cansaço, falta mais de um mês para as eleições do Sporting. Levo quase 30 anos de convivência com o futebol e impressiona-me a ligeireza com que tanta gente se considera capaz de pegar num barco daqueles. Ricciardi, último candidato a sair do forno (ainda não acabou...), está certo quando fala na necessidade de experiência e não há dúvida de que ele a tem, ao contrário de quase todos os adversários, mas há dois tipos de experiência, a boa e a má. A contribuição de Ricciardi para a incomensurável pouca-vergonha que sucedeu na banca, nem que seja na condição de testemunha silenciosa, não pode ser só um pormenor biográfico, como ter fumado haxixe nos tempos da faculdade. Especialistas em offshores já o futebol tem demasiados.