O adepto também precisa de conserto

O adepto também precisa de conserto

O Conselho de Disciplina faz bem em pôr os clubes a catar tochas: há um culpado que sai sempre impune

Por que razão nunca falamos da culpa dos adeptos, apesar de serem eles a provocar boa parte das chatices do futebol profissional? As toupeiras do Benfica são adeptos, o próprio caso dos emails fala, no fundo, de uma rede de adeptos, as claques não deixam de ser adeptos e os piores exemplos de desequilíbrio psicológico e desonestidade, na tevê, são dados por adeptos. A maioria nem consta das folhas de pagamento dos clubes ou das cartilhas: agem assim por cegueira histérica. Por isso, é interessante que o Conselho de Disciplina tenha resolvido pôr o futebol profissional aflito com o que fazem os adeptos. É esse o significado dos jogos à porta fechada com que o CD castigou Benfica, Braga e Paços de Ferreira: os clubes estão obrigados a ensinar, muito bem ensinado, aos seus adeptos que não é boa ideia continuarem a ter como hobby serem maníacos irracionais e obsessivos. Qualquer clube fica em risco; basta um par de tochas. E até seria bom pensar nisso já, não vá o Governo prescindir de um Vítor Pataco à frente da futura Alta Autoridade para a Segurança no Desporto, que também estará orientada (ou desorientada) para o controlo do adepto pelos clubes. Tudo o que sucedeu nestes últimos anos leva ao adepto: foi ele que elegeu e reelegeu Bruno de Carvalho, apesar das evidências humilhantes; é ele quem fecha os olhos à falta de escrúpulos dos dirigentes e os ouvidos às mentiras mais óbvias e descaradas; é ele, o adepto, quem dá audiência ao ódio televisivo e boceja quando lhe falam de futebol jogado. O adepto, ou seja, o cidadão precisa urgentemente de conserto.