Nem só de Eduardo vive o novo Fonseca

Nem só de Eduardo vive o novo Fonseca
José Manuel Ribeiro

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Às vezes, até no futebol o que parece é. Os treinadores encontram sempre a exceção que espatifa a regra, mas, de longe a longe, jogar com mais avançados é mesmo atacar melhor. No FC Porto reabilitado por Paulo Fonseca, houve o furacão Carlos Eduardo, mas também o furaquinho Licá, mais obscuro, menos impressionante à vista e, no entanto, igual em tudo ao processo do colega que veio com ele do Estoril.

Tal como Carlos Eduardo é o jogador talhado para a posição que Lucho González cumpria em desconforto e sem rendimento, atrás de Jackson, também Licá é a simplificação da enorme ensarilhada de processos a que Josué obrigava quando colocado a extremo esquerdo. Para que uma jogada de ataque funcione, são necessários emissores e recetores: Josué faz bem o primeiro trabalho mas não o segundo, e o facto de estar em campo roubava ao FC Porto um recetor, isto é, um jogador que procurasse o espaço e oferecesse linhas de passe (a famosa profundidade). Isso tornava mais fácil ao adversário marcar Jackson e limitava muito as vias de ataque.

Entretanto, em duas semanas Fonseca virou a mesa e ganhou uma equipa, que não só é muito diferente das versões anteriores dele próprio como já é uma edição de autor, impossível de relacionar com as de Vítor Pereira. O que está a nascer é outro Porto.