Premium Maquinações, intoxicação descarada e um futebol de cócoras

Maquinações, intoxicação descarada e um futebol de cócoras
José Manuel Ribeiro

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Agenda do Benfica sobrepõe-se a tudo com uma facilidade impressionante

Em três dias, o futebol profissional português mostrou (ou mostraram-lhe) tudo aquilo de que é feito.

A divulgação do ranking de tempo útil de jogo, que o põe no último lugar da Europa, diz demasiado sobre os santos dos jogadores e dos treinadores, normalmente inimputáveis nas questões de sujidade, nunca percebi porquê: estão na média dos dirigentes e comentadores que costumam criticar.

Depois, mas só para os mais atentos e honestos, assistimos a uma apurada operação de intoxicação mediática, sobretudo nas televisões e na internet, a respeito do desproporcional litígio Benfica-FC Porto. A falta de respeito de algum jornalismo por si próprio mantém essa máquina (do Benfica, para que fique claro) a salvo de um escrutínio eficaz, e essa é outra das miudezas que ficaram expostas ao relento por estes dias. O DN provava ontem a ligação (redundante) de um blogger dessa brigada a uma miríade de sites de desinformação, que infetam tudo, do desporto a coisas bem mais perigosas. Não é que fosse novidade, exceto no nome do jornal (lisboeta, logo acima de quaisquer suspeitas), mas nem isso valeu um chavo.

Enquanto se debatia em todo o lado os resultados da múltipla intoxicação, que vai da tradicional arbitragem até às opiniões jurídicas sobre o e-Toupeira, foi completamente ignorado o tema da Liga Europa 2, cujo formato de apuramento vai arrasar as equipas portuguesas, médias e grandes. Não há melhor sinal de saúde e salubridade do que a agenda de um clube conseguir sobrepor-se à sobrevivência do futebol inteiro. Já tinha acontecido uma semana antes: como só Pinto da Costa e a Liga falaram sobre o IVA para o futebol, e visto que é socialmente desaconselhável seguir Pinto da Costa e validar a Liga, o Governo e o parlamento mal sentiram o beliscão. Aplausos.