Lei do mais forte

José Manuel Ribeiro

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Slimani, Mitroglou, Depoitre: nenhuma área da I Liga ficará por lavrar

Cabedal. Uma palavra que tem tanto a ver com a indústria do calçado como com a trajetória das seleções portuguesas de futebol. Posto que tudo vai dar a Jorge Jesus desde há sete anos (nisso tem razão), é preciso reconhecer que ele também reparou na utilidade da fita métrica e da balança antes dos outros. Se fosse preciso reduzir a fórmula do mestre da tática a duas palavras, a primeira seria quantidade (de jogadores que consegue usar no ataque) e a segunda tamanho (das escolhas que faz para posições cirúrgicas). Jesus gosta de bisarmas, como Javi García, Matic, Coates (1,96 metros) ou Petrovic (1,93 metros). As bisarmas são especialmente úteis no campeonato português, que não tem genes nem grande apreço pelo cabedal, seja em centímetros, seja em largura de ombros, seja em vigor. À conta desse liliputianismo, Mitroglou (1,88) navega pelos relvados da Liga como um porta-aviões entre traineiras; e, em dias de maior apetite, Slimani (1,88) pisa a área (e os centrais) como se fosse Godzilla a devastar Tóquio. Uma parte da história dos últimos campeonatos também se conta pelo físico, se for preciso recuando até Hulk, embora, no caso dele, nem os russos tenham sido capazes de lhe pôr travões. No futebol escrito, raramente o tamanho conta; no futebol jogado, tem contado muito. Na evidência de falta de recursos para contratar um Van Basten, o FC Porto optou por uma ferramenta (Laurent Depoitre), uma enxada para lavrar a área como Mitroglou faz no Benfica e Slimani no Sporting. A chegada de um belga anónimo pesará na balança de uma maneira ou de outra: se não der para discutir o título de pesos pesados com o grego e com o argelino, terá pelo menos a vantagem de não pôr na sombra André Silva, como sucederia se, em vez de Depoitre (1,91 metros), chegasse o tal Van Basten.