Herói do teclado

O Sporting não perdeu por causa da assembleia geral, mas Bruno de Carvalho tornou a derrota maior do que devia ser. Como sempre

O Sporting perdeu porque Bruno de Carvalho teve um dos seus acessos na assembleia geral de sábado? Claro que não. Se calhar, nem sequer perdeu por Jorge Jesus ter dito na véspera, como se nada fosse, que Bas Dost e Gelson são cinquenta por cento da equipa (era, com certeza, psicologia invertida para reforçar a autoestima dos outros cinquenta por cento). O jogador de futebol é uma criatura à margem das notícias e demasiado focado nele próprio. O Sporting perdeu porque é a mesma equipa que jogou pouco no Estádio da Luz, que jogou pouco na final-four da Taça da Liga e que, na semana passada, esteve a minutos de empatar com o V. Guimarães em Alvalade. Corrijo: a mesma equipa que fez esses jogos, agora sem Gelson nem Bas Dost, e jogando com um Estoril inteligente e melhorado. As neuroses de Bruno de Carvalho que contribuíram mais para esta perceção do Sporting foram as anteriores; as que confundiram uma Taça da Liga e uma vantagem folicular no campeonato com um prémio Nobel do futebol, não para a equipa, mas para ele próprio. Logo depois de Braga, partiu para uma maratona de recolha de louros, expressão que no seu caso significa sempre humilhar e rebaixar uma mão-cheia de pessoas e entidades por razões revanchistas e, em geral, fúteis. O que o Sporting constrói com esforço (e mérito) por um lado, Bruno destrói pelo outro, sem esforço algum. Será até por isso que quer cada vez mais modalidades: porque os seus impulsos destrutivos pedem cada vez mais combustível. Não é difícil olhar para o cenário da assembleia geral de anteontem e perceber como era fácil ter a maioria daqueles "sportingados" do lado do presidente. Bastava um pouco de boa educação. E índole.