Premium Fábio e o dilema do golo zangado

José Manuel Ribeiro

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O FC Porto não tem o novo novo Ronaldo: tem um problema com a baliza que decidiu o último campeonato

Os adeptos do FC Porto quererão ouvir hoje que Fábio Silva é o novo novo Ronaldo - e um rapaz de 17 anos e cinco dias que se bate como ele merece reconhecimento -, mas há formas mais úteis de observar a equipa de Sérgio Conceição nesta altura. A primeira conclusão é que mantém, por enquanto, a má relação com o golo, a não ser pela via habitual das bolas paradas. A segunda é que mantém também, à revelia da boa ou má qualidade de jogo, a facilidade para criar situações que depois são desperdiçadas. A terceira é que o FC Porto precisa mesmo de um grande segundo médio e sentir-lhe-á a falta, agora ou lá mais para a frente, se não o contratar. E a quarta, para fazer a vontade aos portistas, é que os miúdos trazem uma energia nova, de facto, e que alguns deles podem mesmo ser soluções no imediato, com Fábio Silva à cabeça. Não o vejo sozinho a ser surrado pelos centrais, mas, com o tipo de guarda-costas que o FC Porto pode oferecer-lhe no ataque, tem um espaço já bastante evidente, desde que Sérgio resolva antes o puzzle do golo. O foco de uma equipa que perdeu um campeonato por dois pontos não são os miúdos, nem os veteranos: é perceber como isso aconteceu. Pedir a Fábio o que os mais velhos não fazem até podia acabar por ser didático (André Silva passou por isso com Lopetegui e Peseiro) e, no princípio, muito bem acolhido pelos adeptos, mas seria um desafio injusto às probabilidades. Os golos que decidam.