Doutoramento em videoárbitro

O VAR não é astrofísica. Se continua a ser mal usado, a ignorância já não pode ser desculpa

O contacto frequente entre o Conselho de Arbitragem e os clubes é das poucas medidas que podem levar a algum tento na língua. Fazer o mesmo com os árbitros seria ainda melhor e nem faria mal que os juntassem também com os jornalistas e até com os abominados comentadores de arbitragem para um pequeno-almoço (paga o Mário Centeno, de castigo). Há muito recalcamento, nos dois lados, que sairia atenuado com essa humanização dos agentes aos olhos uns dos outros. Na guerra dos apitos, chega demasiada coisa ao relvado que nunca lá devia entrar, seja o preconceito das equipas contra este ou aquele árbitro, seja o sentimento, destes últimos, contra as "campanhas", as pressões e a crítica, para além do perigo de se convencerem de que o inimigo está ali à frente deles, a jogar à bola. Só por ter havido esse contacto, a reunião de ontem entre CA e clubes foi boa, mas fiquei curioso sobre as explicações que lá foram dadas sobre o videoárbitro, como fico também sobre a necessidade de se chamar um especialista inglês para acompanhar os juízes na própria sala do VAR e dar-lhes outra carga de formação. O VAR não é astrofísica. O resumo do protocolo do IFAB tem nove páginas, incluindo capa e índice. Se, por esta altura, os árbitros continuam a usá-lo mal - e todas as semanas confirmamos que sim - as razões têm de ser sociais, disciplinares ou de competência básica. Nos dois primeiros casos, a máquina conserta-se com um psicólogo que racionalize os tiques de estrela; no segundo, com um capataz (que também podia dar um salto ao primeiro e levar o chicote); no terceiro, confesso que não sei, porque os únicos árbitros que caem das árvores são Fábios Veríssimos. Mas dar-lhes mais aulas? De talento não há.