Premium Conceição na era do pandemónio

José Manuel Ribeiro

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Sérgio limpou bem e depressa as zonas cinzentas Aboubakar, Diogo Leite e Diogo Queirós. O Krasnodar é parecido

1 Sérgio Conceição esteve fora do alcance dos jornalistas durante algumas semanas e o castigo da UEFA garantia-lhe mais uns dias, se quisesse, mas recusou essa desculpa e voltou bem. Perante notícias que punham Aboubakar, Diogo Leite e Diogo Queirós fora do plantel, Sérgio puxou da espada e trespassou a fera à nascença: Aboubakar e Leite vão fazer a época com ele; Queirós talvez não, mas será "importantíssimo" num futuro próximo. Os três jogadores ficaram com uma declaração para guardar e a Imprensa com uma declaração que (em princípio) não pode ignorar. A comunicação na era do pandemónio consiste em aniquilar as zonas cinzentas o mais depressa possível, antes que a bicharada real e virtual as comece a roer. Imagino que o caso do incidente entre Sérgio e Danilo seja mais difícil de tratar de forma tão direta, mas ilustra bem o problema. É correto e inatacável que Danilo feche as portas do Olival ("Não temos de esclarecer nada. O que aconteceu está entre nós"), mas a zona cinzenta continua à mercê dos necrófagos.

2 Sérgio não viu desvalorização do Krasnodar quando do sorteio desta pré-eliminatória, mas eu li alguma opinião publicada com um otimismo difícil de perceber à luz dos resultados internacionais de 2018/19, que incluíram vitórias sobre Sevilha e Standard de Liège, dois empates com o Bayer Leverkusen e outro com o Valência. O FC Porto está obrigado a ganhar? Sim, mas com os joelhos esfolados, porque, à maneira deles, os russos também são uma zona cinzenta.