Campeão com ou sem balizas

José Manuel Ribeiro

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A seleção portuguesa decide hoje que destino dar ao Euro"2016: ou serve para o futuro ou foi só uma grande noite de copos que tivemos todos juntos

O futebol pode ser um devaneio, com uma influência artificial na vida das pessoas, ou uma indústria que multiplica empregos, negócios complementares, receitas, visibilidade internacional e melhora a vida dos cidadãos muito para lá da descarga hepática nos dias de jogo. Os campeonatos da Europa ganhos pela Dinamarca e pela Grécia encaixam no primeiro género. Não foram parcelas de evolução nenhuma, nem contribuíram para criar nada de útil, pelo menos de forma durável. O futebol dinamarquês e o futebol grego remetem para nada, tirando dois ou três nomes dessas gerações nostálgicas. Portugal já estava muito à frente da Dinamarca e da Grécia antes de ganhar o França"2016, pelos jogadores, treinadores, clubes e taças que produziu, mas nem o seu título europeu está a salvo de ficar para a história como apenas uma noite bestial de copos, a que se seguiu o regresso dos portugueses à velha reputação de melhor seleção do mundo no futebol sem balizas. A Europa não ficou convencida. São raras as referências na Imprensa internacional ao que sucedeu em julho do ano passado e quando existem, por regra, é para voltarem a puxar as orelhas aos franceses com um "parece impossível". O Europeu pôs à disposição de Portugal um degrau; depende de Fernando Santos e dos seus rapazes se o sobem, dando continuidade ao que fizeram em Paris, ou desmentem tudo, 2016 e os 18 anos anteriores, ao tornarem-se a primeira seleção portuguesa, desde 1998, a excluir-se da fase final de uma grande competição. Mesmo o desterro para os habituais play-offs do desespero será uma desilusão; um paradoxo insanável. Chegar a campeão europeu é uma coisa; ser campeão europeu é outra. Têm uma hora e meia para escolher.