Premium Bruno foi duas vezes vítima das aparências

Bruno foi duas vezes vítima das aparências

Se não fosse João Félix, teria sido bem vendido por 60 milhões. E sem Champions, numa liga alheia aos ingleses, não podia custar mais.

Os clubes ainda mandam qualquer coisa, é a primeira ilação a tirar da exportação falhada de Bruno Fernandes para Inglaterra. Frederico Varandas não se deixou constranger pelas necessidades de tesouraria, o que demonstra personalidade, mas o preço pode ser demasiado alto. Tudo depende do cálculo que foi feito em Alvalade. As probabilidades de título são suficientes para justificar o esforço de segurar Bruno Fernandes, ainda por cima com salário reforçado? Se não forem, os próximos nove meses vão parir um quadro negro, de altos custos acumulados e receitas rarefeitas.

A outra grande dúvida é o próprio Bruno, tão excecional em 2018/19 que ninguém de bom senso deve tomar por certa uma produção semelhante esta época. Bruno será o pior inimigo de Bruno, depois de João Félix ter sido o pior inimigo do Sporting (e de Bruno também). Sem os 120 milhões de euros, o número de referência seriam os 50 milhões da venda de Militão pelo FC Porto. O Sporting teria transferido o seu maestro por uma soma recorde, amorteceria as contas e descartar-se-ia do título com uma boa desculpa. Félix (ou Jorge Mendes) virou o mundo sportinguista do avesso, apenas pela habitual hipervalorização das aparências versus bom senso.