Premium As lições do Rio Ave e o nu frontal de Hugo Miguel

As lições do Rio Ave e o nu frontal de Hugo Miguel
José Manuel Ribeiro

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Sob os maiores holofotes do campeonato, há quem dê exemplos de dignidade e quem insista em fazer strip-tease

Muito antes do árbitro Hugo Miguel, o Rio Ave: pela segunda época consecutiva, as equipas que não jogam pelo título foram vítimas colaterais constantes das maiores baixezas e, pela segunda época consecutiva (há um ano foi o Tondela), elas deram-nos exemplos de uma dignidade preciosa, porque já não a vemos em mais lado nenhum. Quando tinha todos os olhos do país em cima, o Rio Ave fez, com o Benfica, um belo jogo (talvez o melhor da época) que poderia ter virado o campeonato.

Na mesma situação, a arbitragem aproveitou os maiores holofotes da temporada para mergulhar de cabeça no atoleiro à vista do mundo. Dirão, como sempre, que houve muitos erros para outros lados desde agosto, mas ainda que concordássemos (e não concordo) que os erros (ou potenciais erros) são todos iguais, não é errando também para a equipa concorrente que os árbitros se reabilitam. Mesmo para quem, como eu, tenta compreender os árbitros e a situação incómoda em que está o Conselho de Arbitragem, lances como o de ontem são inexplicáveis do princípio ao fim, quer olhemos para ele do ponto de vista do penálti, do ponto de vista da falta que invalidaria o golo do Benfica, do ponto de vista do fora de jogo posicional de João Félix ou do ponto de vista do videoárbitro, que Hugo Miguel nem sequer quis ou foi aconselhado a utilizar - mais uma vez, borrifando-se para a defesa do jogo aos olhos dos adeptos.