Apito de risco

Luís Godinho obedeceu mal a boas instruções do CA na Supertaça

Agora que passaram dois dias e muita água suja depois da arbitragem de Luís Godinho no FC Porto-Aves da Supertaça, talvez convenha analisar esse jogo pelo prisma incerto da racionalidade. Há boas e más razões para se falar de Godinho e do que aconteceu no sábado. As más são as do costume: a suposta intencionalidade nos erros, a relação algo abusiva com a expulsão cómica de Danilo há dois anos e a perseguição das televisões cem por cento magenta a Sérgio Conceição, por ter perdido a cabeça e acabado expulso, como se não tivéssemos saído mesmo agora de nove anos de convivência com o carácter "puro e genuíno" de Jorge Jesus. É evidente que Conceição precisa de sangue frio e que clube nenhum tem vantagem em perder, daquela forma, o respeito dos árbitros, para além de que Portugal não muda. As boas razões para comentar a arbitragem da Supertaça são as que começam nas instruções recebidas esta época pelos árbitros: dentro do possível, deixar jogar. Mais do que qualquer lance em particular, ou questões sobre a boa vontade de Luís Godinho, importa rever a final à luz desta ordem do Conselho de Arbitragem. A ordem é boa: a I Liga sofre de uma infestação permanente de faltinhas e maniganciazitas, que depois até facilitam o antijogo (problema sério para o FC Porto, por exemplo). Tornar o futebol mais agradável à vista passa por erradicar esse mau hábito por todas as vias possíveis. Mas nós já conhecemos o processo; já vimos antes como alguns árbitros não conseguem distinguir entre agressividade e violência ou ter o discernimento para perceber que o jogo está a descambar, como sucedeu no sábado. Quando acontece, obviamente que sai a ganhar a equipa que aposta mais na dureza e o adversário, obviamente também, não tem de aceitar as caneladas e as lesões com um sorriso. Mas o caminho é este. Mais nenhum vale a pena.