Antifutebol

O Paços-FC Porto tinha de acontecer, depois de tantas semanas de pressão suja sobre as equipas

1 O resultado do Paços de Ferreira-FC Porto inflamou o campeonato, mas teve ainda outro bom sucedâneo em potência, até para os portistas: talvez acalme a campanha suína, iniciada no Tondela-Benfica (sim, houve dois lados) e levada ao cúmulo no Estoril-FC Porto, contra as equipas e os jogadores (no fundo, contra toda a gente). Voltou a acontecer com o Paços, na semana passada, e a "notícia" de que o jogo ia ser "facilitado" foi replicada instantaneamente por sites e jornalistas. A invasão das apostas, ao jeito das hordas mongóis, já nos obriga a pôr em causa o fundamental do jogo com factos. Atacá-lo com mentiras patetas e canalhices saídas do pior que a clubite tem é criminoso e atenta contra os interesses de todos os agentes. Dar-lhe espaço na comunicação social é sonso. E não começou agora. O próprio Sérgio Conceição enfrentou a suspeita quando, antes de um V. Guimarães-FC Porto, o acusaram de estar a preparar o salto para o Dragão (ganhou 1-0, bom incentivo para repetirem a manobra). Os acontecimentos do jogo de anteontem na Mata Real são a consequência natural do ruído orquestrado nas últimas semanas. Perdão, esquecia-me de que ruído são os emails; queria dizer da música sinfónica.

2 No antijogo, só há culpados. É ali que descobrimos a careca a todos os treinadores, dos resultadistas aos moralistas, passando pelos melosos do futebol espetáculo, e pelos anjos dos jogadores. O ex-árbitro Duarte Gomes entende que os apitos estão de mãos atadas. Por mim, acho evidente que podiam esforçar-se bastante mais, mas não insisto. Só digo que não é um problema menor, nem irresolúvel. E que escusamos de olhar para a FIFA, porque lá fora o antijogo é uma constipação. Aqui é uma pneumonia terminal.