Ser grande já foi melhor

O segundo lugar tornou-se uma aflição num campeonato que se transfigurou neste último ano

No último ano, a I Liga levou duas grandes cacetadas que a mudaram muito. A primeira foi o videoárbitro, não forçosamente pelo que alterou no campo, mas pelas modificações que induziu na arbitragem. Por exemplo, faz diferença que um árbitro aspire a uma segunda vida na sala do VAR, depois dos 45 anos, e que para lá chegar não possa ser um zombie semifuncional a partir do momento em que desaparece a ilusão de uma carreira na UEFA. Faltava essa cenoura aos árbitros. A outra grande bordoada vem da Liga dos Campeões, afunilada num único apuramento direto que transforma radicalmente o segundo lugar. Até aqui, ser vice-campeão podia ser interessante. A receita e a agenda eram as mesmas, sem o inconveniente de terem de ser pagos prémios à equipa pelo título. Agora, o segundo lugar é uma guilhotina que cai logo em finais de agosto, início de setembro. O Benfica tem em causa 40 milhões de euros de distância para o FC Porto e nunca os obterá sem custos, porque já apressou a época, desregulou o calendário e, se calhar, perdeu contratações por ter de as deixar em standby. Mas também é uma oportunidade. O impacto de um Braga campeão seria muito maior do que o do Boavista em 2001 e até poderia mudar a geografia da bola. No dia em que arranca um novo campeonato, e logo com um Benfica-V. Guimarães, a conclusão a tirar é que já houve épocas melhores para ser grande em Portugal.