Alfa e Geraldes: a Liga 2018/19

A luta pelo título está a ganhar potência mas a perder talento. E as manadas não se conduzem sozinhas

Alfa Semedo e Francisco Geraldes são os nomes da semana. Entre um e outro, há 13 quilos, 15 centímetros e mais um mundo inteiro de diferenças, apesar de jogarem ambos no meio-campo e até na mesma posição, com algum esforço. Se juntássemos as mais-valias deles num só jogador, acabaríamos num negócio de cento e muitos milhões de euros. Também ajudam a descodificar o último campeonato do mundo e a prever como será a I Liga esta época, em resposta ao FC Porto/Marega de 2017/18. Alfa é a "surpresa" do Benfica, embora só surpreenda quem não esteve atento a este último ano; Francisco Geraldes forçou a saída do Sporting por achar que o onze estava vedado pela imponência de Bruno Fernandes. O apetite de José Peseiro por Enzo Pérez (intensidade+intensidade+intensidade) descartava a hipótese (já remota) de lhe ser dada a vaga de segundo médio. Geraldes é leve e pausado num futebol esfomeado por poder físico e stress. Neste momento, FC Porto, Benfica e Sporting estão mais preocupados em comparar watts de potência do que talento, e têm razão: a liga portuguesa pode (e vai) ser ganha no músculo. Mas isso não significa que se possa dispensar os Geraldes, os Otávios e os Zivkovics, tal como um carro não dispensa a caixa de velocidades, por muito poderoso que o motor seja. Vejo os três grandes (o FC Porto nem tanto, e isso é mau) a ganharem quilos e centímetros, mas a perderem (ou na iminência de perderem) talento e a preocuparem-se pouco com isso.