Amor pela lei ou pela camisola

O caso dos emails agrava-se com as suspeitas de sabotagem interna no Ministério Público. Já estamos noutro campeonato

Escreve a revista "Sábado" que o DIAP de Lisboa está a investigar a existência de "um canal privilegiado" entre o "Campus da Justiça" e responsáveis do Benfica. Esse canal terá feito chegar à Luz peças processuais do inquérito ao caso dos emails. Para além disso, há indícios de que, pelo menos, dois funcionários de tribunal, um em Guimarães e outro em Lisboa, partilhavam informação proibida com o Benfica e de que o juiz Rangel não era o único desembargador adepto de promiscuidades. Acresce que, em julho, um juiz do tribunal de instrução recusou à Judiciária os mandatos necessários para as buscas no Estádio da Luz, que, por causa disso, só viriam a ser efetuadas meses depois. Um relatório confidencial interno da Judiciária que pedia uma investigação-relâmpago ao tal "canal privilegiado" foi publicado num blogue antes que a investigação-relâmpago esfregasse um olho. Tudo isto é, potencialmente, mais grave do que qualquer revelação feita pelos emails do Benfica até ao momento. Estar em posição de sabotar uma investigação do Ministério Público não é o mesmo que poder manipular nomeações e classificações de árbitros de futebol. A diferença é a da Liga dos Campeões para o Campeonato de Portugal. O que a "Sábado" noticia não é só mais uma mão-cheia de detalhes sobre o andamento de um processo que o futebol quer resolver ao sprint: é a acusação mais séria de todas, que extravasa o futebol e põe as forças judiciais a julgarem-se a si próprias, sem deixar de ser um motivo para que o alarme no futebol suba de tom. A Justiça tem de ser rápida a dizer-nos que este processo não acabará por ser apenas uma encenação em nome do amor de um fulano qualquer à camisola.