Adrián é um alvo fácil e errado

Adrián é um alvo fácil e errado
José Manuel Ribeiro

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Invulgar na Amoreira foram os dois golos sofridos por um FC Porto que só admitira três nas nove jornadas anteriores

No FC Porto, Adrián López joga um futebol oprimido. Tem sempre a cara de alguém que foi convidado para uma "ménage à trois" e descobriu que, afinal, era uma "ménage à deux". Sente-se a mais. A bola foge-lhe envergonhada dos pés. O desencontro com a alegria é tão flagrante que não há maneira de o defender usando apenas o incómodo que grita em Portugal. Mas o Adrián que foi campeão europeu de sub-21 (e melhor marcador da prova), titular na final da Liga Europa de 2012 e titular na lição do Atlético de Madrid ao Chelsea (4-1) na supertaça europeia do verão seguinte não devia precisar de explicar às pessoas quem é. Ou, neste caso, quem pode ser.No esforço para o ajudar (parece-me), Lopetegui agravou o problema. Agora, Adrián é, injustamente, o rosto do pior FC Porto. Está associado a uma mudança de sistema tático que, antes de chegar até onde ele joga, já arriscou encolher o meio-campo a dois homens apenas. Não será descabido discutir-se, primeiro, se a equipa está forte o bastante para agarrar jogos só com dois dedos. Aceitando como indiscutível o mau desempenho do espanhol, acresce que o bizarro, na Amoreira, não aconteceu no ataque: anormais foram os dois golos sofridos por um FC Porto a quem os adversários só tinham marcado três nas nove jornadas anteriores.