A silenciosa goleada do Benfica

José Manuel Ribeiro

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Na formação, que tem de ser ponto de honra do Sporting, o efeito Bruno de Carvalho não é evidente

Começa a haver uma espécie de norma para os artigos de opinião sobre Bruno de Carvalho. Há sempre um parágrafo ou dois sobre os melhoramentos que fez no Sporting, porque seria desonesto e até um disparate negá-los, e algures entre a quinta e a décima linha desponta um "mas", em geral versando o comportamento social, os pelos do pescoço eriçados e os caninos sempre à mostra. Para variar, o "mas" que temos hoje é de outra ordem. Nos últimos quatro anos, o Sporting é massacrado na sua imagem de marca. Não só o Benfica ganha em número de convocatórias para as seleções nacionais jovens em todos os escalões, como apenas num deles a mais prestigiada escola nacional consegue ficar à frente do FC Porto, e, mesmo assim, mais por estratégia portista do que por outra coisa qualquer (ler págs. 2 e 3). Jesus não é um daqueles super-antibióticos que curam as doenças todas. Tê-lo a treinar os seniores não valida os méritos da SAD sportinguista a respeito de outros assuntos, nem os contagia. Há inversões por fazer e a da formação, até por necessidade de continuar a cultivar a identidade do Sporting, não é a menos importante delas.

Nota. O presidente do Sporting fez, no canal do clube, simpáticas considerações sobre a capa d"O JOGO de ontem, que referia a distribuição geográfica dos seguidores de Benfica, FC Porto e Sporting na maior rede social do mundo (o Facebook) e do particular agrado de Bruno de Carvalho. Ficou por explicar porque é que fazer um trabalho sobre isso será "ridículo", a não ser que alteremos o significado da palavra "ridículo" no dicionário para "aquilo que o Bruno quiser".