A revolução de veludo

José Manuel Ribeiro

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Depois do G15, o mundo está melhor para quem? É a pergunta do milhão de dólares

A ordem natural das coisas ditaria que as assembleias gerais da Liga pusessem quase sempre em conflito os clubes grandes e os pequenos. Não sejamos preconceituosos com a palavra: é dos conflitos que saem os equilíbrios, ou seja, quando não há conflitos entre duas forças tão desproporcionadas, provavelmente alguém está a ajoelhar-se mais do que devia. Seria bom que o despertar do G15 significasse que os clubes evoluíram para a emancipação, mas a AG de ontem tornou óbvio que FC Porto e Sporting veem o movimento como uma marioneta que o Benfica usou para mais uma manobra de diversão ao caso dos emails. Em concreto, sabemos que o clima negativo entre os três grandes e a defesa da indústria foram os primeiros motivos assumidos para a criação do grupo. Depois, juntou-se-lhes a disparidade financeira. Concluída a AG de emergência, é difícil perceber que contributo prático foi dado pelo G15 para a pacificação (a não ser, talvez, alargar a rebaldaria de dois contra um para dois contra 16), e também não será simples encontrar nas alterações aos regulamentos algum detalhe que mude substancialmente seja o que for, nem para calar os incendiários, nem para modificar os equilíbrios financeiros entre ricos e pobres e nem sequer para a arbitragem, porque as câmaras extra que os clubes "decidiram" obrigar a pôr em todos os estádios, para uso do videoárbitro, teriam de ser pagas por alguém. Até me surpreendem as reações de Bruno de Carvalho (pensando bem, nem por isso) e Pinto da Costa por tão pouco. Impõe-se a pergunta do milhão de dólares, que todos devemos fazer-nos depois de cada incidente no futebol nacional: feitas as contas, quem ganhou com o G15?