A limpeza das matas

O Conselho de Arbitragem faz sempre bem quando esclarece, mas tem de lhe juntar a prevenção de incêndios

O Conselho de Arbitragem fez uma referência pública ao golo anulado ao Sporting, anteontem, por entender que foi um erro de interpretação do protocolo do VAR. O protocolo estipula que os lances podem ser analisados até ao início da jogada, e a falta de Bruno Fernandes detetada pelo videoárbitro aconteceu, claramente, antes disso. A explicação que me foi dada para não ter havido o mesmo esclarecimento noutros exemplos, incluindo o fora de jogo que cancelou um golo ao FC Porto no clássico com o Benfica, é que esses foram erros de análise. A instrução para que o árbitro retarde o apito, de maneira a permitir o recurso ao VAR, não consta do protocolo. Percebo a distinção e também percebo que ela tenha de existir, para que o CA não passe a vida a explicar-se em público a dezoito clubes que, em princípio, partilham os mesmos direitos. Mas também há um detalhe chamado impacto e outro chamado povo. O erro do FC Porto-Benfica pesou no resultado e criou bastante mais discussão e desconfiança do que outro qualquer. Marcou o arranque do VAR. Entre a massa de portistas, adiantará pouco esta minha explicação para a conduta do Conselho de Arbitragem. Na prática, sentem o ato de efetiva transparência do CA como a prova de um duplo critério. Essa gestão do que o transeunte pensa, ou poderá pensar, também tem de ser feita, mesmo que não se pratique o exercício importante de distinguir o mau relacionamento com dirigentes do mau relacionamento com adeptos. O adepto que ganhou rancor à arbitragem vai pressionar o presidente. A isso os sapadores florestais chamam matéria combustível.