A final de Paris ainda se joga

José Manuel Ribeiro

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Os campeões da Europa não são todos iguais e Portugal começa por ser menos igual que os outros. É o melhor de dois mundos

O suíço Dzemaili está sossegado para o jogo de amanhã. Portugal foi campeão europeu apenas porque "teve sorte", uma leitura que - não nos iludamos - é a mais popular na Europa. A final de Paris não resolveu tudo, nem consagrou para sempre a seleção de Fernando Santos fora do país. Os campeões europeus não são todos iguais. Vamos falar da Espanha 2008 e 2012 durante os próximos cem anos; da Grécia 2004, não chegámos a falar seis meses. No Mundial"2006, já os gregos se tinham esboroado (não passaram a qualificação), como previa toda a gente que os tinha visto ganhar o Europeu.

Na verdade, a sorte explica tanto a vitória de Fernando Santos como as ameaças da seleção portuguesa em três dos quatro europeus anteriores (uma final e duas semifinais). Portugal não chegou grego a França. A Grécia não tinha nada que se parecesse com esse currículo em 2004, mas ninguém cuidará de fazer semelhante análise se Portugal for tão campeão europeu agora como ela foi no apuramento para o Mundial"2006. Nesse caso, será grego também; apenas uma pequena nódoa no historial dos campeonatos da Europa deixada por uma França descuidada.

Não ter ganho o Europeu por KO significa que a seleção de Santos continuará a jogar a final de Paris, pelo menos até ao último trimestre do ano que vem. É o melhor de dois mundos para uma nação com o nosso perfil psicológico: o título e o ceticismo da plateia, em vez do endeusamento que, provavelmente, levaria às figuras do costume.