Idade da Inacência

O avismo e o inacismo juntam-se ao brunismo, cada um à sua maneira


1 - O brunismo e o avismo (de Desportivo das Aves) são filosofias parecidas. Esta novidade de culpar a Federação pela falta de licenciamento para competir na UEFA recorda-nos que esta época, ou estas épocas, tiveram bem mais do que um Bruno. Há muitos anos que os clubes conhecem o imperativo de pedir uma licença para jogar a Liga Europa e a Liga dos Campeões. Já houve fiascos públicos nessa matéria e existe um regulamento bastante óbvio. Se, em dezembro, ninguém do Aves imaginou que jogaria a final do Jamor, paciência, é assumir o erro e aprender com ele. Muitos dos detritos que emperram o futebol profissional são asneiras próprias empurradas para outros. O que foi a hecatombe do brunismo senão culpas repetidamente sacudidas por um presidente para cima do treinador e dos jogadores? Embora passem a vida a falar-me nisso, não sei como eram os homens de antigamente (suspeito que havia de tudo, como agora), mas julgo saber como lhes era exigido que, pelo menos, parecessem.

2 - Augusto Inácio ao salvamento: é o que se conclui da nomeação do novo diretor-geral do Sporting. Do nada surge um aliado e, em simultâneo, uma almofada entre o presidente e os jogadores que lhe são alérgicos. Uma bisnaga de Fenistil e está tudo bem outra vez. Mas é muito diferente partir da inocência com Bruno de Carvalho em 2013 ou assinar por baixo tudo o que ele fez nestes cinco anos, incluindo as duas últimas semanas. Sendo sempre bonita, a lealdade também é sempre correta e bem dirigida? Como o escritor Mark Twain já foi antes chamado ao brunismo, sem poder defender-se, não será mais uma volta no túmulo a dar-lhe cabo das cruzes: "Lealdade à nação, sempre; lealdade ao governo, quando ele merece."