Grande notícia para Leonardo

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José Manuel Ribeiro

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O treinador a quem só pediam para ganhar equipas sai do Mónaco por perder jogos

O presidente Enrico Preziosi, do Génova, chicoteou David Ballardini, que considera "um treinador terrível": "A carreira dele comprova isso. Foi despedido 13 vezes nas últimas 14 épocas." O curioso é que, não só Ballardini tinha o cadastro atual bem à vista em 2017, quando Preziosi o contratou, como já havia sido contratado por ele antes, em 2010/11. Dos 13 despedimentos, só consegui encontrar seis, pelo que nem essa parte deve ser honesta.

Os treinadores são um par de ombros largos, à disposição de qualquer banana (ou do Pogba) para lhe branquear a incompetência. Na soma de quatro anos, o português Leonardo Jardim vendeu 800 milhões de euros em jogadores do Mónaco, cumpriu uma Liga dos Campeões estratosférica e venceu um campeonato inimaginável ao Paris Saint-Germain. De época para época, conformou-se a treinar equipas cada vez menos reforçadas, por decisão estratégica do clube e a troco de uma reputação efémera de "formador". Fez-se um agricultor de talentos.

Mas o despedimento, que será confirmado hoje, condena a tal ideia fresca do viveiro que o Mónaco parecia representar. Afinal, o unicórnio do clube-escola e infinitamente paciente com os resultados regressa ao reino da fantasia assim que põe os olhos num nome vistoso como o do alegado sucessor, Thierry Henry, campeão da Europa e do Mundo pela França, em 1998 e 2000. E Jardim, o treinador a quem só pediam para ganhar equipas, sai do Mónaco por perder jogos, como acontece a todos os comuns mortais que aspiram a taças. A boa notícia é que o livram do calvário desta espécie de autoexílio competitivo, muito abaixo do potencial que tem, e ainda lhe devem pagar uma valente indemnização por cima. Ah, e o patrão Ryobolev vai ver-se à rasca para lhe encontrar despedimentos como os de Ballardini no currículo.