Foi-se o sorteio fica o jogo de azar?

Foi-se o sorteio fica o jogo de azar?
José Manuel Ribeiro

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Chumbar o sorteio é sensato; ignorar a insatisfação da Liga e dos árbitros não

De certa forma, reprovar o sorteio dos árbitros na assembleia geral da FPF foi um sinal de maturidade. Até entre os proponentes se assumia que não era o melhor método e que teria efeitos colaterais, em particular num momento em que são poucos os bons árbitros. Também ficou bem claro que a ideia perturbava os árbitros, como perturbaria qualquer cidadão que, de repente, visse uma parte da sua vida jogada aos dados. Reprovar o sorteio seria sempre uma atitude normal para quem, como os delegados da AG da Federação, está obrigado a ter uma visão de conjunto em que é levado em conta o interesse de todos. Mas os factos mantêm-se: os clubes profissionais deram um voto de desconfiança ao Conselho de Arbitragem; e os árbitros, através da APAF, são os primeiros a apontar anomalias nas nomeações de Vítor Pereira. Nomeações essas que, em 2014/15, foram uma fonte frequente de dúvida e descredibilização. Isso aconteceu também porque, perante a contestação, o presidente do CA pareceu sempre optar pelo confronto ou, pelo menos, não achou importante gerir de maneira a que não parecesse assim aos olhos do público. A escolha de Bruno Paixão e João Capela para uma dupla de jogos-chave, numa das fases mais inflamadas da época, até soou a sarcasmo. Ninguém está bem com uma gestão dessas: nem os clubes, que se sentem desafiados e impotentes; nem os árbitros, que ficam expostos e fragilizados; nem Vítor Pereira, cujo cargo necessita de um mínimo de confiança por parte dos demais agentes. E essa, por grosseiros erros de cálculo da parte dele, já não existe nem voltará a existir.

Nota: o voto contra o sorteio pode ter sido muito lúcido, mas o procedimento da mesa da AG da FPF foi de ética demasiado suspeita. À moda antiga.