Premium Fernando Gomes e os outros 363 dias do ano

Fernando Gomes e os outros 363 dias do ano
José Manuel Ribeiro

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O futebol profissional tem no presidente da FPF uma bomba atómica, mas falta-lhe, pelo menos, a licença de porte de arma

Fernando Gomes, presidente da FPF, conseguiu juntar pela terceira vez todos os presidentes da I Liga. A isso chama-se gestão de recursos. Gomes é um recurso único que o futebol não estava a explorar como devia. Não sei se alguma vez houve autoridades tão consensuais e claras como a dele e duvido que voltem a aparecer nos anos mais próximos. Tem o futebol na mão e a estatura (e influência) para discutir de igual para igual com o Governo, a UEFA ou a FIFA

Mais raro ainda: tem as ideias, a equipa e a capacidade de execução. Os presidentes comparecem quando os convoca porque sabem que não será tempo perdido e que, na presença dele, a margem para desvios inúteis e disparatados reduz-se. Acredito que, disciplinado por Fernando Gomes, o futebol profissional possa fazer acordos fiscais históricos com o Estado, desensarilhar a questão dos direitos televisivos e, se calhar (se calhar), até ganhar algum espírito de equipa para os combates externos. No que não acredito é na vantagem de mostrar esta face profissional e adulta uma ou duas vezes por ano e fazer exatamente o contrário nos sete ou oito compromissos anuais da Liga, marcados pelo absentismo, pela displicência, pelo achincalhamento desnecessário dos órgãos executivos, pelos acordos bilaterais manhosos e pela política rasteira.